sexta-feira, 23 de outubro de 2009

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

VALÉRIA

Respiração acelerada, olhos fixos no caminho, ouvidos atentos, cavalgando a toda velocidade, estava Valéria, a mais forte guerreira das amazonas, o cabelo sendo lambido pelo vento, o corpo retesado pela carga de sua missao, tinha de chegar, nao poderia deixar sua protetora sem a carga que trazia em seu alforge..... o cansaço quase a consumia, mas sua determinaçao era maior, a razao pela qual fazia aquele trajeto era maior....... sua mente vagava por lembranças do seu passado, quanto era apenas uma menina e sonhava ser como sua mae, a rainha das amazonas, vivera por aquilo, treinara, vencera tantas batalhas que nao conseguia mais determinar o numero exato, e agora era Valeria, rainha das amazonas, temida por uns, amada por outros, mas agora nada disso significaria nada se nao conseguisse cumprir sua tarefa.........
Algo despertou seus sentidos...... ela golpeou forte seu cavalo que acelerou imediatamente, nao ousou olhar para tras, estava tao perto, tao perto, e o tempo era tao curto, nao poderia permitir que algo a atrasasse.......... quando estivesse no local de destino talvez tivesse tempo de lutar, mas nao agora, nao poderia, a respiraçao ofegava, as patas do seu cavalo pareciam terem asas, seria Afrodite que a ajudava? Nao... nao poderia ser, era ela o motivo de tanta pressa, estava adormecida em uma caverna, e somente a carga preciosa que levava consigo, a Ambrosia, comida dos deuses, tao poderosa que se um mortal comesse uma migalha, se tornaria um deus, e se a noticia de que ela estava transportando tal carga vazasse, todos os gananciosos da Terra a estariam procurando........ so pensava em cavalgar........ ja avistava a caverna, estava a pouco mais de cem metros..... nao podia falhar.... nao deveria falhar...
Valeria para o cavalo na frente da caverna, ouve o tropel de cavalos, se vira e começa a luta, espadas e olhares se encontram no ar, Valeria luta como nunca lutou na sua vida, nao sabe quantos sao, e nem lhe interessa..... Ninguem venceria a rainha das amazonas, podem vir todos os exercitos do mundo, todas as hordas de barbaros.........Eu venço todos, eu sou afrodite na terra, eu sou a rainha das amazonas!!!!!!
Seu grito causa temor, e muitos fogem..... somente os mais fortes ousam ficar e lutar..... mas ninguem...... ousa enfrentar o olhar de valeria......e sua espada corta o ar, quebrando espadas e ossos, cortando cabeças, sua coragem e força nao sao comparaveis a nenhum ser da terra.
- EU SOU VALERIAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! seus gritos gelaram a alma de quem os ouviu, seus dentes cerrados, a mao firme na espada... olhar penetrante... lutou ate ser a unica pessoa viva naquele campo.........
Com a respiração ofegante caiu de joelhos...... nas nao podia perder tempo, correu ate a caverna, seguiu ate o seu final, onde estava Afrodite, dentro de um ataude de cristal, adormecida, inerte..... aquela visao a comoveu, e pela primeira vez desde que era uma garotinha, teve de conter as lagrimas...... chegou ate o ataude, olhou para aquela deusa, que mesmo estando inerte, indefesa, não tinha perdido a sua grandiosidade, abriu a tampa do ataude, pegou seu alforge, tirou a ambrosia, e colocou nos labios de Afrodite...... Uma luz foi tomando conta do recinto........ Valeria sentiu-se aconchegada como nunca havia sentido na vida, fechou os olhos, e sentiu o toque de uma mao em seu ombro, um toque acolhedor e amoroso. Quando abriu os olhos estava diante da propria afrodite..............que a abraçou, e beijou seus labios, passando parte da ambrosia que havia em sua boca............

para Valeria, pura força e doçura.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

PRA QUEM DISSE QUE O ANTERIOR TAVA MUITO SANGUINOLENTO: LA VAI ESSE!!!.

ORVALHO
Era uma noite especialmente agradável, havia uma leve brisa que balançava as folhas, por nao haver o ofuscar das luzes da cidade, a quantidade de estrelas era inimaginável, a lua parecia estar apoiada no alto da montanha tal o seu tamanho, o ar estava com um cheiro diferente, um cheiro que inspirava, que animava, alentava, os vaga-lumes faziam aquele campo parecer uma parte do ceu tamanha a sua quantidade, os grilos tocavam sua cançao caracteristica, que a noite fazia parecer quase uma sinfonia...........
De repente os grilos se calaram, e os vagalumes foram se afastando para dar passagem aquela figura estranha que caminhava altiva, e que parecia estar perfeitamente integrada aquele ambiente tamanha a sua familiaridade a ele, e todos os animais pareciam que o conheciam e o respeitavam, tinha um sorriso no rosto e observava o ceu com uma gratidao que quase o levava as lagrimas; respirou profundamente, abriu os braços como que sentindo a brisa e seu sorriso se acentuou.
Mas nao poderia perder muito tempo com essas agradaveis sensaçoes, tinha uma tarefa primordial a ser cumprida, e começou a trabalhar, tirou de baixo da capa uma bolsa, da qual sairam lençois, pegou as bacias afuniladas que trazia envoltas em outra sacola de couro e pos-se a trabalhar:
pegou quatro galhos caidos de arvores sem que fossem cortados, os colocou cada um em um local formando um quadrado, os afundou bem de forma que aguentassem um peso mediano, estendeu os lençois em cima dos galhos, formando um lençol de duas camadas, procurou por ali uma pedra que fosse de um tamanho mediano e que fosse polida e limpa, enfim achou, a colocou exatamente no meio do lençol e embaixo desse lençol, se encaixou uma das bacias afuniladas, e a outra, que tinha um pequeno furo bem no meio foi por cima da primeira.
A primeira parte de seu trabalho estava concluida, agora restava a ele apenas esperar, esperar que o orvalho caisse sobre o lencol, se concentrasse na pedra, retirando de seu amago a materia prima da sua obra, o começo da Grande Obra, a Esmeralda dos Filosofos. So os grandes sabiam o segredo da colheita...... o mes..... o dia...... e a hora exatos em que esse orvalho era produzido pela natureza.
E era chegada a hora, um cheiro diferente, marcante porém suave, quase imperceptível, se fez notar, todos os animais que ate aquela hora estavam em algazarra, se aquietaram, os vagalumes apagaram suas luzes, as estrelas assumiram seu brilho e tomaram conta da noite, e como num passe de magica, um frescor como nunca se viu começou a tomar conta daquele campo, os olhos do homem brilhavam..... estava começando. o orvalho molhava o lençol , que pela posiçao da pedra, formava um funil...... esse funil embebia a pedra naquilo que transmutaria sua alma, que a tornaria algo diferente de uma simples pedra........ ela se tornaria a Pedra em Cinza, que ainda precisaria passar pelo Rubro, pelo Amarelo e pelo Branco para cumprir seu destino agora traçado.
Mas o que realmente interessava aquele homem, nao era aquela pedra, destinada a ser a mae de todas as riquezas, era o outro produto desse acontecimento, o liquido que seria destilado, e se tornaria a cura para os males.
Tudo acontecia de acordo com o esperado, o orvalho descia generosamente, se concentrava na pedra, que adquiria uma coloraçao diferente, e o resultante daquele primeiro processo caia e era armazenado na bacia tampada cuidadosamente para que nao evaporasse com os primeiros raios de sol que em breve estariam surgindo.
E o processo se completou............. tudo voltou a normalidade, o homem recolheu cuidadosamente o precioso liquido em uma pequena garrafa escura, pegou a pedra e colocou no bolso, os lençois ele recolheu e guardou na bolsa, e as bacias voltaram para seu recipiente de origem.
O homem começou o caminho de volta, caminhando a passos largos, pois nao tinha muito tempo para preparar o elixir que necessitava, chegou em sua casa, e começou o processo que demoraria anos se nao soubesse exatamente como fazer, colocou o conteudo da garrafa escura em um outro vidro, e foi adicionando varios ingredientes, um vermelho, outro verde, e repetindo mentalmente cada detalhe da formula, coloca o vidro sob fogo cuidadosamente
calculado, acopla o vidro a um conjunto de destiladores e apenas observa as cores mudando a cada nova destilaçao......... vermelho, amarelo, e finalmente o branco, que se formava em pequenas gotas no alto do aparelho. apenas o que saia nas ultimas sete gotas era aproveitado, o resto era um veneno para o qual nao havia antidoto, e que causava a morte de nove entre dez aprendizes.
Com o elixir tao cobiçado por varios reis, que pagariam fortunas por uma simples gota, ele corre contra o tempo, cavalga velozmente em direçao a sua aldeia natal, passa por todos aqueles locais que lhe sao tao queridos, que lhe trazem lembranças tao doces da sua infancia, a qual esta tao longe que ele nem sabe calcular exatamente quanto tempo faz.
Entra na aldeia e vai passando por casas que lhe são familiares, mas nota que seus ocupantes nao......... uma ponta de tristeza faz com que uma lagrima corra pelo seu rosto, enquanto passa, varias pessoas o olham espantados, principalmente os velhos, ele para, desce do seu cavalo, se dirige a casa amarela com a roseira dourada na frente. Bate a porta, uma senhora de cabelos grisalhos atende, ele a reconhece:
- Vim buscar vc!
A mulher que o atendeu na porta vai se afastando para o interior da casa seguida por ele, e em seu espanto consegue apenas dizer:
- Meus Deus....!! diz ela
-Tive medo que vc não existisse mais...... disse ele.
-Eu prometi que esperaria por vc! responde.
Ele entregou o frasco com as gotas a ela, que sorveu cada gota, começou a se sentir estranha, e desmaiou, teve sonhos, sonhos com ele, como se os dois fossem ainda os adolescentes que se apaixonaram em um amor impossível, com os castigos que ele tinha sido submetido por seu amor, no rosto dele ao ser arrastado para fora da aldeia, em suas ultimas palavras dirigidas a ela, que ele venceria tudo para te-la ao seu lado, inclusive o proprio tempo.
Acordou na sua cama...... mas algo havia mudado em seu ser, sentia o vigor de antes, de quando nao era uma mulher octogenaria, mas sim uma jovem que cavalgava livre nos campos junto ao seu amor.......nisso se lembrou, olhou para o lado e viu o homem que povoava seus sonhos ha decadas sentado, aparentando a mesma idade com a qual o vira a ultima vez, vinte e cinco anos, quando partiu em busca de um sonho, prometendo voltar para busca-la. E esse dia chegou, ela olhou para ele e apenas sorriu. se sentou na cama, e olhou direto no espelho, lagrimas surgiram nos seus olhos, ela estava exatamente como ele, com a mesma idade, nao era mais aquela mulher na qual os anos tinham colocados marcas profundas, e sim uma jovem. Olhou para o rosto do homem e sorriu. Sairam da casa, sob o olhar espantado de todos, que nao entendiam nada que estava acontecendo. Montaram, e cavalgaram ate o horizonte os engolir, e nunca mais se ouviu falar deles naquelas paragens, e com o tempo se tornaram apenas uma lenda, depois uma memória esquecida.